Quando uma relação começa a machucar mais do que acolher.
Vocês podem ainda se amar e, mesmo assim, já não saber conversar. Uma tentativa de aproximação vira cobrança. Uma pergunta vira discussão. E o silêncio começa a parecer mais seguro do que dizer o que sente.
Talvez a primeira pergunta não precise ser “continuamos ou terminamos?”. Talvez seja entender o que aconteceu entre vocês.
Às vezes a relação não acaba. Ela vai ficando difícil de habitar.
Nem sempre existe um grande acontecimento que explique a crise. Muitas vezes ela vai sendo construída em pequenas repetições: conversas que não chegam a lugar algum, coisas que ficam acumuladas e tentativas de aproximação que terminam produzindo ainda mais distância.
Vocês conversam muito e resolvem pouco.
Uma conversa simples começa no presente e termina trazendo assuntos que pareciam encerrados há anos.
Um tenta se aproximar. O outro se sente pressionado.
Quanto mais um cobra presença, mais o outro recua. E cada reação parece confirmar o medo do outro.
A rotina continua funcionando.
Contas, filhos, trabalho e compromissos seguem acontecendo. Mas vocês sabem cada vez menos sobre o que acontece dentro um do outro.
Vocês já entram na conversa preparados para se defender.
Em algum momento, compreender o outro pode ter ficado menos importante do que provar que sua própria dor também existe.
Às vezes o casal passa anos discutindo assuntos diferentes e repetindo exatamente a mesma briga.
Dinheiro, sexo, família, filhos, ciúmes ou rotina podem mudar. Mas a posição que cada um ocupa dentro do conflito pode continuar a mesma. Quando conseguimos enxergar essa dinâmica, começa a existir espaço para responder de outra maneira.
Como está a relação de vocês hoje?
Reserve alguns minutos para olhar para a relação com um pouco mais de distância. São 8 perguntas sobre aspectos que costumam aparecer na vida a dois.
Este check-up não é um instrumento diagnóstico, não substitui avaliação psicológica e não determina se vocês devem permanecer juntos ou se separar. É apenas um exercício de reflexão.
Quando alguma coisa incomoda, vocês conseguem conversar sobre o problema sem que a conversa rapidamente vire ataque, defesa ou silêncio?
Quando praticamente qualquer tema termina em ataque, defesa ou silêncio, vale observar a dinâmica da conversa. Às vezes o assunto muda, mas a briga continua sendo a mesma.
Existem assuntos que pareciam encerrados, mas voltam em praticamente toda discussão importante?
Quando algo importante acontece com você, seu parceiro ainda é uma das primeiras pessoas com quem você tem vontade de dividir aquilo?
Vocês conseguem reconhecer quando machucaram um ao outro sem imediatamente explicar, justificar ou devolver uma acusação?
“Eu fiz isso porque você...” pode explicar uma reação, mas também pode impedir que vocês parem por alguns segundos diante daquilo que aconteceu com o outro.
Carinho, toque, desejo ou sexualidade ainda acontecem de forma espontânea, ou passaram a carregar cobrança, obrigação, rejeição ou silêncio?
Você tem deixado de dizer determinadas coisas porque pensa: “não adianta falar, vai acabar em briga”?
Às vezes um casal parece ter parado de brigar, não porque resolveu seus conflitos, mas porque alguém começou a desistir de conversar.
Quando você pensa nos próximos anos, ainda consegue imaginar um “nós” dentro dos seus planos?
Se nada mudasse entre vocês pelos próximos dois anos, como você se sentiria?
Talvez a pergunta não seja apenas se a relação está “boa” ou “ruim”.
Suas respostas não definem sua relação. Mas podem ajudar a perceber aspectos que merecem ser olhados com mais cuidado.
Não tentem resolver a relação inteira.
Se for seguro conversar, escolha um momento em que vocês não estejam discutindo e faça apenas esta pergunta:
“Tem alguma coisa que você vem tentando me fazer entender e sente que eu ainda não consegui ouvir?”
Não responda imediatamente. Não explique sua versão. Tente primeiro compreender a resposta.
Terapia de casal não é um tribunal.
Meu trabalho não é descobrir quem começou, quem errou mais ou quem tem razão.
Também não parto do princípio de que permanecer juntos é necessariamente o melhor desfecho. Há casais que chegam querendo reconstruir. Outros chegam sem saber. E há aqueles que precisam compreender a relação antes de conseguir tomar uma decisão.
O trabalho é olhar para aquilo que acontece entre vocês: como uma reação encontra a outra, como determinados ciclos se repetem e por que algumas tentativas de resolver o problema acabam alimentando o próprio problema.
Eu não preciso escolher um lado para ajudar vocês a enxergarem a relação.
O que acontece entre vocês importa tanto quanto aquilo que aconteceu.
Na Gestalt-terapia, procuro compreender a experiência do casal como ela acontece no presente: o que cada um sente, como reage, o que tenta proteger e o que acontece quando essas formas de estar na relação se encontram.
Adelson Sousa
Sou psicólogo formado pela UNIFACS e atuo clinicamente desde 2012. Ao longo desses 14 anos, relacionamentos, conflitos afetivos, dependência emocional, comunicação e terapia de casal se tornaram parte importante da minha prática.
Depois de tantos anos ouvindo histórias de relacionamento, uma coisa fica clara: aquilo que aparece como “o problema” quase nunca existe sozinho. Por trás de uma discussão sobre dinheiro, sexo, ciúmes, família ou rotina, existe uma relação inteira acontecendo.
Meu trabalho é ajudar a tornar mais visível aquilo que, estando dentro da relação, muitas vezes vocês já não conseguem perceber sozinhos.
Nem toda crise tem a mesma história.
E a terapia não precisa começar apenas quando a relação parece estar prestes a terminar.
- Discussões recorrentes
- Distanciamento emocional
- Dificuldade de comunicação
- Traição e confiança
- Ciúmes
- Sexualidade
- Ressentimentos acumulados
- Interferências familiares
- Parentalidade
- Dinheiro e projetos de vida
- Dúvidas sobre permanecer juntos
- Processos de separação
Toda relação precisa de cuidado. Não apenas quando está prestes a acabar.
Por que brigamos sempre pelas mesmas coisas?
Porque nem sempre o conflito está apenas no assunto. O tema pode mudar enquanto a dinâmica permanece: um cobra, o outro recua; um se defende, o outro aumenta o tom; um tenta encerrar, o outro sente que não foi ouvido. Perceber esse ciclo pode ser mais importante do que encontrar uma solução diferente para cada discussão.
Quando procurar terapia de casal?
Não existe um momento obrigatório. Alguns casais procuram ajuda diante de uma crise específica. Outros percebem que estão acumulando distância, ressentimento ou dificuldades de comunicação. Também é possível procurar terapia antes que a relação chegue ao limite.
A terapia de casal serve apenas para quem quer permanecer junto?
Não. O processo também pode ajudar duas pessoas que estão em dúvida sobre a continuidade da relação a compreenderem melhor o que vivem e tomarem decisões com maior consciência.
É possível fazer terapia de casal depois de uma traição?
Sim, a traição pode ser trabalhada em terapia, mas não existe uma resposta previamente definida sobre reconciliação. É necessário compreender o impacto ocorrido, as condições da relação e aquilo que cada pessoa deseja construir a partir dali.
E quando só um dos dois quer fazer terapia?
Essa situação também merece ser conversada. A disponibilidade de cada pessoa para participar do processo é uma informação importante e pode ser considerada antes de definir como o acompanhamento será conduzido.
Um espaço para essa conversa acontecer.
Atendimento presencial na CentralPsi, em Salvador, e possibilidade de terapia de casal online.
Vocês não precisam chegar à terapia sabendo se querem continuar juntos.
Às vezes o primeiro passo é compreender como duas pessoas que se escolheram chegaram a um lugar em que estar juntas começou a doer.
E descobrir o que ainda pode ser construído a partir daqui.
Conversar sobre o atendimento